Deus dará. Será?

Temos a mania de dizer que as coisas serão como Deus quiser que elas sejam, mas eu prefiro esperar que Deus (?) cuide dos que precisam mais do que eu e que, pelo que percebo, estão completamente abandonados. Dos que estão sofrendo com essas chuvas ou com a seca, por exemplo. Acho que Ele pode olhar também pelas crianças e pelos animais que estão sofrendo nas mãos de pessoas desumanizadas.

Enquanto isso, eu sigo aqui, lutando com todas as minhas forças para ser alguém melhor, para fazer por merecer, para ter fé. Fé na vida, fé em mim, fé em quem eu amo e, principalmente, fé que as pessoas aprendam a usar o coração que bate no peito, para fazer o bem, para respeitar o outro, para ser verdadeiro.

Sei que já não sou mais tão jovem, mas gosto de pensar que estou começando (pretendo pensar assim até o último dia) e que tenho a oportunidade de aprender, de melhorar, de me transformar em alguém que dê orgulho para quem realmente quer o meu bem. Tento preservar meus valores, minha paz. Tento desenvolver o meu caráter, sabendo que para chegar a algum lugar bom, eu não preciso passar por cima de ninguém, apensar me esforçar, estudar e continuar.

E o resto, Deus dará.

Será?

Simples

Estou com uma vontade imensa de me sentar em frente a este computador, ouvindo uma boa música e tentar, de alguma forma, preencher os espaços com algo que faça sentido para os outros e para mim, mas eu simplesmente não consigo.  São tantos pensamentos, são tantas coisas e eu me perco nisso tudo, deixando as obrigações do dia a dia destruírem a minha inspiração e a minha paz. Bom, enfim, ontem acordei com um casal de papagaios jovens na árvore da minha vizinha. Estava observando e ouvi meu pai dizer: “Dizem que quando eles encontram uma parceira, eles lhe são fieis até o final da vida”. Bom, não sei se é verdade, pois não tive tempo de pesquisar, só sei que essa frase serviu para deixar a cena ainda mais linda. Eu admiro muito a pureza dos animais e sinto que ainda temos muito a aprender com eles. Meu cachorro, que não tem uma das patas, me dá uma lição de vida a cada vez que o vejo, pois mesmo com a dificuldade, ele continua com uma alegria sem igual, perante a qual não consigo ser indiferente.

Eu espero que um dia eu aprenda a ser feliz, simplesmente por ser.

Diferente,

Como é difícil fazer escolhas hoje, sabendo que elas refletem no meu futuro. Que caminho seguir? Meu Deus, eu tenho dado o meu melhor e parece que não adianta, nada muda do jeito que eu gostaria… Odeio depender do destino, da sorte, dos outros. Eu queria que as coisas dependessem só de mim, sempre.

Tanto a dizer,

seriam palavras sinceras e que não são ditas a qualquer pessoa. Na verdade, nunca foram ditas por mim. As palavras que explicam os sentimentos são as mais bonitas de se escrever, dizer ou ouvir. Mas o silêncio de um olhar e os pequenos gestos valem ainda mais do que qualquer uma delas. Não as desmereço, mas a cada dia percebo que os olhos não conseguem esconder o que a boca não se atreve a dizer…

Nem se atreverá.

O melhor de mim

Hoje estou aqui para dizer que coisas praticamente impossíveis podem acontecer para quem aceita os presentes que a vida oferece. Basta estar atento e agarrar a oportunidade, para que ela não se perca e não se afaste de ti. É confuso, mas o pouco tempo se fez muito quando parei para pensar que, nos incontáveis momentos bons e no único momento ruim, eu pude olhar para o lado e perceber que não estava sozinha. Foi tão rápido, mas agora eu (realmente) sei como o sorriso de alguém pode mudar o meu dia e espantar o desanimo; como uma crise de risos nos momentos mais improváveis pode fazer toda a diferença; como é possível encontrar a estabilidade… Enfim, na verdade, hoje eu só estou aqui para dizer “Gracias a la vida que me ha dado tanto” e que, o melhor de mim, é teu.

Du schläfst neben mir ein,
ich könnt’ dich die ganze Nacht betrachten
Seh’n wie du schläfst, hör’n wie du atmest,
bis wir am morgen erwachen

Du hast es wieder einmal geschafft,
mir den Atem zu rauben
Wenn du neben mir liegst,
dann kann ich es kaum glauben,
dass jemand wie ich, sowas Schönes wie dich, verdient hat

Eu quase perdi o meu pai

Ele sofreu um enfarte na última quinta-feira, sozinho, enquanto dirigia na Av. Castelo Branco.  O que poderia ter sido uma tragédia transformou-se em uma excelente chance de repensar as minhas atitudes perante a vida. Naquele dia meu pai acordou com um ótimo humor e estava comentando sobre como este ano as arvores deram flor mais cedo. Eu, no meu péssimo humor matinal, pensei que ele estava se preocupando com coisas sem importância. Como eu sou idiota. Quando soube do “acidente”, chorei imaginando que poderia nunca mais ouvir suas impressões sobre as flores, ou sobre como o CET poderia melhorar o trânsito…

O que eu quero dizer é que, nunca sabemos quando será a última vez; quando será o último olhar, o último sorriso ou a última bronca, a ultima briga. Não podemos deixar que as coisas do mundo estraguem a nossa relação com as pessoas que amamos, não podemos nos despedir com palavras de ódio, porque lá no fundo, amamos muito aquelas pessoas e elas nos fariam falta.

Pai, eu te amo.
Espero poder ouvir sobre as flores por muito tempo;
Espero poder ter a sua sensibilidade um dia.

Cansei.

Já disse várias vezes que o ser humano é muito mais forte do que imagina. Quantas vezes já sentimos como se já tivéssemos ultrapassado o limite do nosso corpo, da nossa paciência e do nosso coração? Quantas vezes já desejamos sumir deste mundo, morrer mesmo? E mesmo assim, continuamos acordando no dia seguinte…

Meu Deus como eu estou cansada. Cansada da ignorância das pessoas, da falta de sentimentos bons, da falta de educação e de respeito. Estou cansada do preconceito, cansada da sujeira dessa cidade, cansada da falta de amor, cansada do que fazem com os animais e com as crianças, cansada do que fazem com o nosso planeta. Estou cansada da ganancia, da hipocrisia, cansada da inveja… Eu estou cansada das pessoas.

Não faço mais a menor questão de estar aqui.

, é assim porque é

Por que precisamos passar a maior parte das nossas vidas trabalhando ao invés de poder fazer as coisas que nos agradam, ficar ao lado das pessoas que gostamos? Por que passamos anos acabando com a nossa saúde em uma jornada dupla de trabalho e estudo? Por que deixamos passar as oportunidades que a vida nos dá por medo de onde as escolhas podem no levar? Por que fazemos isso com nós mesmos? Onde queremos chegar?

Estas são perguntas que martelam em minha cabeça incansavelmente e, para as quais eu nunca encontro as respostas. Ok, precisamos trabalhar para ter dinheiro e poder ter uma vida prazerosa, uma casa confortável e um carro. O engraçado é que o lugar onde menos ficamos é nessa tal casa confortável, afinal, estamos o dia inteiro sentados em uma cadeira nem tão confortável assim porque, depois de conseguir a casa, é claro, precisamos também de uma TV grande, um sofá aconchegante…

O fato é que nós nunca estamos satisfeitos. Sim, nós. Digo isso porque, apesar de ser atormentada diariamente por essas dúvidas, eu também estou girando a roda do capitalismo, como um ratinho que não vê sentido no que faz, mas faz. E por quê? Porque é assim.

Continuo.

Não pensei em voltar a escrever tão cedo, mas sinto saudades de estar aqui, mesmo não tendo nada de muito interessante a dizer. Além disso, uma pessoa muito especial me pediu para continuar. Então, estou aqui.

A vida nem sempre nos dá aquilo que pedimos e nós não entendemos os motivos disso. Questionamos e sofremos, mas eu já tive a oportunidade de perceber que nem tudo aquilo que nos parece um mal realmente o é e nem tudo o que queremos muito realmente é o melhor para nós. Não sei, eu acho que um dia nós vamos conseguir compreender essas coisas todas e, eu espero que, ao olhar para trás possamos perceber que foi melhor assim e agradecer. Enquanto isso, acredito que a melhor solução seja continuar e não desistir nunca, porque ninguém está nesse mundo para ser infeliz.


último

Decidi parar de escrever com tanta frequência porque não estou satisfeita com as coisas que tenho escrito. Podem perceber que os textos ficaram bem menores e sentimentais demais, né? Pois então, não quero mais. Vou dar um tempo, por mais difícil que seja resistir àquela coceirinha que dá nos dedos quando penso em algo e já tenho vontade de escrever por aqui. Pretendo voltar quando tiver algo útil ou mais alegre para dizer. Concluo com uma frase do mestre Jean-Pierre Jeunet: “são tempos difíceis para os sonhadores”

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