Postagens do blog antigo [Outubro/2009]

Sobre “perder pessoas”

Um amigo me disse que não perdemos as pessoas porque não podemos perder algo que não possuímos. Realmente não podemos prender ninguém conosco, apenas conquistá-las, cativa-las de modo que escolham ficar ao nosso lado por uns tempos, ou por uma vida.

Mas as vezes as pessoas se afastam. Algumas não dizem -adeus-, não dão explicação, apenas… vão. E esse afastamento pode ser opcional, ou causado pela morte. De qualquer forma precisamos aprender a conviver com a falta, com a saudade e com um vazio que [talvez] nem o tempo cure.

Isso me faz pensar em qual das duas situações é mais difícil: “perder” alguém para a vida ou para a morte?

Se perde para a vida quando o outro se afasta de nós porque nossa presença já não é mais suficiente, quando já não se sente tão bem ao nosso lado, ou quando simplesmente mudou de opinião, encontrou algo que o complete, algo “melhor”… Quando isso acontece, ainda podemos encontrar a pessoa por ai, dizer -oi-, saber as novidades, mas sempre teremos que conviver com a estranha sensação de não ver sentimento algum naqueles olhos que antes brilhavam apaixonados, beijar a face de quem sempre beijamos os lábios e ainda assim, precisar agir como se tudo isso fosse normal…

Perder para a morte nos traz a certeza de que não poderemos mais ver o rosto, ouvir a voz ou sentir o cheiro de alguém que foi obrigado a nos deixar. A morte é uma interrupção de algo que poderia continuar por mais tempo, ou não, nunca saberemos.

Eu não sei a resposta, mas vivo com a sensação de que perder para a vida dói mais. Veja bem, não estou dizendo que lidar com a morte é algo fácil, pelo contrário, sei como é doloroso, mas muitas vezes dedicamos o que há de melhor em nós à alguém e esse alguém simplesmente desiste, se afasta porque todo o nosso amor já não é suficiente.

 

Inquietude constante causada por uma reflexão diária a respeito de o que está acontecendo com o mundo e com as pessoas que nele vivem.

Seria um bom diagnóstico para a minha insônia e, principalmente para o meu silêncio. Já gastei tanto tempo procurando as respostas, tentando entender o porque de as pessoas estarem tão individualistas, tão nervosas e tão vazias, que aos poucos me sinto contaminada com essa frieza… É isso! As pessoas cansaram de “remar contra a maré” e, simplesmente desistiram de se preocupar, de tentar mudar o que não pode ser mudado para quem sabe assim, viver melhor…[continua, ou não.]

 

Sonhei

Um pano colorido estendido sobre a grama verde. O sol brilhava na intensidade exata. Sonhei um abraço e um convite irrecusável: deixar o dia passar preguiçoso, despreocupado. Sonhei a primeira brisa da noite, a primeira estrela no céu. Sonhei nosso silêncio, que tanto diz. Sonhei essa vontade que eu sinto. Sonhei não me afastar nunca mais.

 

E hoje eu senti vontade de ser -eu.

Me esconder de tudo e passar algumas [muitas] horas protegida naquele mundo que só eu conheço [e amo] ou que, talvez, um outro alguém [que eu ainda não conheci] conheça também.

É um mundinho simples, sabe? Porque tudo que é simples é muito, muito rico. Rico de paz, de sensações, rico de vida. E vida, que eu saiba, é isso: encontrar um pedacinho de paz dentro de mim mesma, sem artifícios, sem mentira. É gastar um pouquinho do meu tempo cuidando de mim, alimentando a alma com som, cor e um pouquinho de prosa.

E hoje eu senti vontade de ser -eu. Tirar todas as máscaras, o disfarce de mulher -quase- forte e ser apenas eu: uma menina e seu mundinho imaginário. Banho quente. Pantufa. Cheiro de café novo no ar. Joshua Radin no rádio. Livros. Cadernos. Rabiscos. Vida. Minha vida.

Ah!… E que vontade de ser eu….

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