Nossa (canina) história de amor

Era segunda-feira, dia 31 de maio de 2010. Estava indo para a faculdade buscar a equipe de gravação para fazer uma matéria sobre veganismo, ali na Rua Augusta. Descendo a rua da minha casa, notei que havia um cachorro deitado em um cantinho. Estava todo encolhido e tremia de frio. Eu adoro animais e, mesmo estando com pressa, parei para lhe fazer um carinho. Chamei bem de mansinho e ele levantou a cabeça. Ele estava todo molhado pois tinha chovido durante a noite. Quando me aproximei, ele imediatamente começou a rosnar e se levantou. Para meu espanto, vi que ele não tinha uma das patas traseiras. Naquele momento esqueci a pressa, a faculdade, tudo! Só queria pegar aquele cachorro e levá-lo ao veterinário. A ferida poderia estar aberta, alguém poderia ter lhe feito mal, não sei. Um amigo, que trabalha em uma loja de carros na esquina da minha rua, tentou me ajudar a resgatar a ferinha, mas foi em vão. Ele era muito bravo e estava com medo. Então, corri para a clínica veterinária a alguns minutos da minha casa, tentando pedir ajuda mas eles, infelizmente, não puderam me ajudar e eu desabei no choro, ali mesmo, como uma criança. Com o coração cheio de tristeza, tive que continuar meu caminho. Eu sentia como se até eu tivesse abandonado o pobrezinho. Enfim, fui para a faculdade mas o pensamento estava  o tempo todo nele. Liguei para o meu pai e pedi que se ele o visse, tentasse pegá-lo e que o levasse ao veterinário. Ele tentou, mas mais uma vez o cachorro atacou e impediu que o tocassem. Voltei para casa às 23hs e pedi que meu pai desse uma volta comigo e, com o carro, andamos pelo bairro todo. Nada.

A terça-feira amanheceu chuvosa e fria, mas eu tinha que sair para procurá-lo. Eu devia isso a ele e a mim. Munida de uma sacolinha cheia de pedaços de lingüiça, andei por todas as ruas próximas daqui, deixei meu telefone com todas as pessoas que trabalham nas redondezas e pedi que, se alguém o visse, me avisasse. Andei por aproximadamente 4 horas e não vi nem sinal dele. Quando desisti e voltei para minha casa, meu telefone tocou. Era a vigilante do Parque (sim, eu moro em frente a um parque) me avisando que o meu “filhote” estava dormindo, na quadra de areia. Sai de casa correndo e, no caminho, encontrei aquele meu amigo da loja de carros e um senhor que vende lanches no portão do parque e eles se dispuseram a me ajudar. Um pegou uma corda e o outro, pasmem, uma blusa de moletom. Eu e o senhor dos lanches entramos no parque e o meu amigo ficou do lado de fora. O cachorro estava deitado e quando nos viu, saiu correndo e passou pelas grades, dando de cara com o meu amigo que estava lá fora. A blusa de moletom serviu como um escudo que defendeu meu amigo das mordidas até que chegamos até eles com a corda. O cachorro saiu em disparada pela avenida e meus dois heróis correram atrás dele. Eu, sedentária que sou, não consegui acompanhá-los então, fui andando e rezando, pedindo a Deus que não acontecesse nenhum atropelamento.

Meus amigos conseguiram, enfim, laçar o animal e o trouxemos para minha casa. Quando fiquei sozinha com ele, ofereci comida e água, mas nada parecia acalmá-lo. Como eu estava preocupada com a sua pata, coloquei uma toalha no chão para ver se havia sangue. Quando ele viu a toalha, imediatamente deitou e se aquietou. Graças a Deus não havia sinal de sangue e nem de nenhuma outra secreção.  Quando meus pais chegaram, escolhemos seu nome: Freddy. Naquela noite, eu dormi em paz. Levei o Freddy ao veterinário e descobri que ele estava perfeitamente bem. A pata foi removida cirurgicamente e o ferimento já estava totalmente cicatrizado. Então, ele tomou um banho, foi tosado e ficou lindo. Hoje o Freddy está aqui, comigo. Tudo isso já faz aproximadamente dois meses e a cada dia ele me surpreende mais. É inevitável me emocionar com ele. Antes queria me morder e agora chora quando me afasto, pede carinho, me reconhece e obedece.

Eu só tenho a agradecer. A Deus, por ter cruzado nossos caminhos; aos meus amigos-heróis que me ajudaram a resgatá-lo e aos meus pais, que o aceitaram em nossa casa e  me ajudam com as despesas. Preciso agradecer também às minhas amigas da faculdade que, além de dividirem a felicidade comigo, dividiram também as despesas da vacinação. Adotar um cachorro especial só me fez ver o quanto a natureza é perfeita, o quanto o amor é forte e pode curar tudo, vencer todas as limitações. O Freddy chegou à minha vida no momento em que eu mais precisava, me encheu de luz, de vida.

Adotar é tudo de bom.

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    • Bia
    • 19 de julho de 2010

    que coisa mais linda, quase chorei agora.

    lindo mesmo.

    quero conhecer o Freddy.
    *————*

    saudade de ti.
    (L

  1. Lindo texto.

    Parabéns pela perseverança e sensibilidade.

    • Renata Kellen
    • 15 de agosto de 2010

    Nossa.. amei essa história, amei o Freddy, amei vc e a sua atitude!

    Que bom que continuou acreditando em todo tempo..

    E que bom que o final foi tão feliz!

    Ótimo exemplo!

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