Arquivo de agosto \31\UTC 2011

último

Decidi parar de escrever com tanta frequência porque não estou satisfeita com as coisas que tenho escrito. Podem perceber que os textos ficaram bem menores e sentimentais demais, né? Pois então, não quero mais. Vou dar um tempo, por mais difícil que seja resistir àquela coceirinha que dá nos dedos quando penso em algo e já tenho vontade de escrever por aqui. Pretendo voltar quando tiver algo útil ou mais alegre para dizer. Concluo com uma frase do mestre Jean-Pierre Jeunet: “são tempos difíceis para os sonhadores”

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Já perdi a noite de sono, já me esqueci de comer, já desci no ponto errado, já deixei só o meu corpo na sala de aula… O que mais falta acontecer? Tudo o que eu queria era poder ficar bem quietinha na minha cama, sem precisar ver, ouvir ou falar com ninguém. Eu tenho tido cada vez mais certeza de que somos fantoches nesse mundo e de que, lá de cima, ninguém olha por nós. 

Não queremos jaulas maiores, queremos jaulas vazias

É inadmissível que os seres humanos, que se consideram tão superiores, ainda se divirtam com o sofrimento animal. Estamos em pleno século XXI e ainda existem touradas, circos ilegais que insistem em utilizar animais, isso sem falar nas prisões domiciliares a qual tantos ainda são submetidos, apenas para apreciação de “donos” egoístas. O homem precisa aprender a viver em harmonia com a natureza, respeitando o direito dos animais, que são amigos e não objetos. (depois eu termino de escrever esse texto, ou não.)

E então o amor é isso?

Hoje li um texto da Martha Medeiros que me fez pensar um pouco no amor. Meu Deus como a gente procura por esse sentimento… Muitos acreditam, inclusive, que só serão completamente felizes quando encontrarem o amor da sua vida. Outros, claro, fogem dele porque acreditam que vão perder seu espaço, sua liberdade. Nada disso! O amor não é nenhuma mágica que vai aparecer e resolver todos os seus problemas e muito menos uma prisão que vai tirar teu direito de ir e vir. O amor é o complemento. Eu vejo o relacionamento como uma das partes boas da vida, com aquela sensação gostosa de que, em algum lugar, existe alguém que realmente se importa. Quando as coisas vão mal, quando o seu chefe briga com você ou te pede coisas impossíveis e quase te desanima, você lembra que vai ter um colo pra voltar, um abraço pra te abrigar…

Ok. Agora eu paro com as minhas bobeiras e deixo vocês com o tal texto:

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”. Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”  Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros

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Com você eu aprendi o real sentido da palavra honestidade; aprendi a ter força e a lutar pelo que é meu sem passar por cima de ninguém. Eu aprendi a importância da consciência tranquila; aprendi a ter palavra e honrar meus compromissos. Aprendi que a minha maior riqueza é a inteligência. Podem roubar tudo de mim, menos o meu conhecimento e os meus sentimentos, que são as chaves para recomeçar em qualquer lugar do mundo. Então hoje, eu só queria agradecer por tudo e dizer que, mesmo que às vezes você não acredite, o que eu mais quero é ser motivo de orgulho para vocês, ser aquela mulher forte e independente que vocês tanto sonharam.

Feliz dia dos pais.

Sobre baladas e jornalismo

Acho que estou velha para baladas, sinceramente. Eu não tenho animo para passar horas numa fila cheia de pessoas que não conseguem esperar civilizadamente pela abertura de uma pequena porta. Ficam ansiosos demais e passam por cima dos outros, estragam sua roupa, seu cabelo e lhe causam hematomas. E então quando, finalmente, você consegue ultrapassar a tal porta, mal consegue andar. Pessoas seguram seu braço, outras passam mal, enfim, isso sem cogitar a hipótese de precisar ir ao banheiro. Mudando completamente de assunto, estive pensando no meu futuro. Algumas pessoas me perguntam se estou certa quanto ao jornalismo, porque é um mercado competitivo, porque se ganha mal e tantos outros motivos. Sim, eu estou certa. Sempre quis fazer veterinária, porque queria ajudar os animais, mas tive que aceitar que eu, simplesmente, não levo jeito para isso. Sou muito sensível ao sofrimento dos animais e não conseguiria lidar com essas emoções diariamente. Então, respirei fundo e fiz uma análise sobre minha personalidade e minhas aptidões. Queria ajudar com algo que eu realmente soubesse fazer. O jornalismo surgiu como uma ideia brilhante, daquelas que precisam ser aproveitadas em todas as suas facetas e, cá estou eu, fazendo tudo o que posso para ser uma boa jornalista, comprometida com os reais interesses da sociedade, sem jamais esquecer aqueles que, infelizmente, não conseguem se defender sozinhos.

Se eu consegui parar de comer carne…

Há aproximadamente três anos eu estava começando a minha vida sem carne. Tomei a decisão de parar após fazer um trabalho sobre o comércio de pele de animais para a confecção de casacos e outros artigos de luxo.  Lembro que parei de um dia para o outro, sem nenhuma dificuldade. Era algo que me sensibilizava e que me movia, então transformei em um ideal de vida. Agora, sempre que falo para a minha mãe que quero mudar algo na minha vida, ela diz que, se eu tive determinação para parar de comer carne – que eu sempre adorei -, eu consigo qualquer coisa que eu realmente queira. Acho que é hora de assumir isso como uma verdade e resolver uma série de pendências na minha vida e na minha personalidade. Como diz aquela frase, os incomodados que se mudem. Não estou falando de uma mudança física, mas sim comportamental. Afinal, a única coisa que podemos fazer é mudar a nós mesmos e torcer para que seja suficiente.

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