Arquivo para julho \29\UTC 2012

Intensidade

O sentimento cresceu. Indomável. Quase pude senti-lo a quebrar cada vértebra, cada osso, ao ganhar uma proporção fora do comum, dentro de mim. Meu corpo já tão cansado, surrado pela violência dos rompimentos, cedeu. Já não havia mais espaço, nem remédio. Foi se espalhando pela corrente sanguínea, ganhando cada membro, cada milímetro do meu –eu. Me fazendo esquecer medos, angústias. Por não conseguir controlar o que sentia, entreguei-lhe meu coração. Músculo exposto – imperfeito e cheio de ânsias pela vida. Pude ver que já batia além de mim. Abri cada parte, contei-te meus segredos, meus sonhos. Mostrei-te cada ponto fraco, cada parte sensível. Dividi-me para somar, multiplicar, para espalhar por toda parte e sufocar de tanto amor. Inebriante sensação de perder-se para se encontrar, de pular com os olhos fechados, de dar a mão e deixar-me levar, não sei como, nem prá onde.

 

 

 

Olho no espelho

É como se eu pudesse ver cada marca que a vida me deixou. Posso ver claramente os hematomas causados pelas decepções. Cada corte aberto representa um sonho que tive que deixar para trás.

Percebo olheiras profundas sob meus olhos que já não brilham. Lágrimas brotam de cada um deles ao notar que posso ver meu coração… Ele bate lentamente, com dificuldade, e dói a cada movimento. Existem remendos, por onde sangra e, mesmo assim, faltam-lhe alguns pedaços…

Por vezes, sinto dificuldade para respirar, é como se faltasse o ar. Não gosto do que vejo, não é isso que eu quero para mim. Tenho vontade de acabar com tudo, mas a covardia faz com que eu desista.

Então, puxo o ar com força e lavo o rosto com cuidado, pois a cada toque a dor fica mais intensa. Escolho uma nova mascara e a posiciono sobre as feridas. Nela, há um sorriso estampado.

E então, eu acordo: já é um novo dia.

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