Cansei.

Já disse várias vezes que o ser humano é muito mais forte do que imagina. Quantas vezes já sentimos como se já tivéssemos ultrapassado o limite do nosso corpo, da nossa paciência e do nosso coração? Quantas vezes já desejamos sumir deste mundo, morrer mesmo? E mesmo assim, continuamos acordando no dia seguinte…

Meu Deus como eu estou cansada. Cansada da ignorância das pessoas, da falta de sentimentos bons, da falta de educação e de respeito. Estou cansada do preconceito, cansada da sujeira dessa cidade, cansada da falta de amor, cansada do que fazem com os animais e com as crianças, cansada do que fazem com o nosso planeta. Estou cansada da ganancia, da hipocrisia, cansada da inveja… Eu estou cansada das pessoas.

Não faço mais a menor questão de estar aqui.

Anúncios

, é assim porque é

Por que precisamos passar a maior parte das nossas vidas trabalhando ao invés de poder fazer as coisas que nos agradam, ficar ao lado das pessoas que gostamos? Por que passamos anos acabando com a nossa saúde em uma jornada dupla de trabalho e estudo? Por que deixamos passar as oportunidades que a vida nos dá por medo de onde as escolhas podem no levar? Por que fazemos isso com nós mesmos? Onde queremos chegar?

Estas são perguntas que martelam em minha cabeça incansavelmente e, para as quais eu nunca encontro as respostas. Ok, precisamos trabalhar para ter dinheiro e poder ter uma vida prazerosa, uma casa confortável e um carro. O engraçado é que o lugar onde menos ficamos é nessa tal casa confortável, afinal, estamos o dia inteiro sentados em uma cadeira nem tão confortável assim porque, depois de conseguir a casa, é claro, precisamos também de uma TV grande, um sofá aconchegante…

O fato é que nós nunca estamos satisfeitos. Sim, nós. Digo isso porque, apesar de ser atormentada diariamente por essas dúvidas, eu também estou girando a roda do capitalismo, como um ratinho que não vê sentido no que faz, mas faz. E por quê? Porque é assim.

Continuo.

Não pensei em voltar a escrever tão cedo, mas sinto saudades de estar aqui, mesmo não tendo nada de muito interessante a dizer. Além disso, uma pessoa muito especial me pediu para continuar. Então, estou aqui.

A vida nem sempre nos dá aquilo que pedimos e nós não entendemos os motivos disso. Questionamos e sofremos, mas eu já tive a oportunidade de perceber que nem tudo aquilo que nos parece um mal realmente o é e nem tudo o que queremos muito realmente é o melhor para nós. Não sei, eu acho que um dia nós vamos conseguir compreender essas coisas todas e, eu espero que, ao olhar para trás possamos perceber que foi melhor assim e agradecer. Enquanto isso, acredito que a melhor solução seja continuar e não desistir nunca, porque ninguém está nesse mundo para ser infeliz.


último

Decidi parar de escrever com tanta frequência porque não estou satisfeita com as coisas que tenho escrito. Podem perceber que os textos ficaram bem menores e sentimentais demais, né? Pois então, não quero mais. Vou dar um tempo, por mais difícil que seja resistir àquela coceirinha que dá nos dedos quando penso em algo e já tenho vontade de escrever por aqui. Pretendo voltar quando tiver algo útil ou mais alegre para dizer. Concluo com uma frase do mestre Jean-Pierre Jeunet: “são tempos difíceis para os sonhadores”

automatic

Já perdi a noite de sono, já me esqueci de comer, já desci no ponto errado, já deixei só o meu corpo na sala de aula… O que mais falta acontecer? Tudo o que eu queria era poder ficar bem quietinha na minha cama, sem precisar ver, ouvir ou falar com ninguém. Eu tenho tido cada vez mais certeza de que somos fantoches nesse mundo e de que, lá de cima, ninguém olha por nós. 

Não queremos jaulas maiores, queremos jaulas vazias

É inadmissível que os seres humanos, que se consideram tão superiores, ainda se divirtam com o sofrimento animal. Estamos em pleno século XXI e ainda existem touradas, circos ilegais que insistem em utilizar animais, isso sem falar nas prisões domiciliares a qual tantos ainda são submetidos, apenas para apreciação de “donos” egoístas. O homem precisa aprender a viver em harmonia com a natureza, respeitando o direito dos animais, que são amigos e não objetos. (depois eu termino de escrever esse texto, ou não.)

E então o amor é isso?

Hoje li um texto da Martha Medeiros que me fez pensar um pouco no amor. Meu Deus como a gente procura por esse sentimento… Muitos acreditam, inclusive, que só serão completamente felizes quando encontrarem o amor da sua vida. Outros, claro, fogem dele porque acreditam que vão perder seu espaço, sua liberdade. Nada disso! O amor não é nenhuma mágica que vai aparecer e resolver todos os seus problemas e muito menos uma prisão que vai tirar teu direito de ir e vir. O amor é o complemento. Eu vejo o relacionamento como uma das partes boas da vida, com aquela sensação gostosa de que, em algum lugar, existe alguém que realmente se importa. Quando as coisas vão mal, quando o seu chefe briga com você ou te pede coisas impossíveis e quase te desanima, você lembra que vai ter um colo pra voltar, um abraço pra te abrigar…

Ok. Agora eu paro com as minhas bobeiras e deixo vocês com o tal texto:

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também? Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”. Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”  Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

Martha Medeiros

%d blogueiros gostam disto: